Como escolher quem vai desenvolver o seu sistema
Portfólio mostra que algo foi entregue, não se atrasou nem se o cliente conseguiu mudar depois. O que separa fornecedor de vendedor são cinco perguntas: quando o seu caso não justifica desenvolver, com quem você fala depois de assinar, o que acontece se quiser trocar de fornecedor, o que não está incluído e como acompanhar o andamento.
Aviso honesto: isto é escrito por quem desenvolve software. Os critérios abaixo valem mesmo quando a resposta não é contratar a gente — e há um trecho dizendo quando não é.
O que o portfólio não conta
Portfólio mostra que algo foi entregue. Não mostra se atrasou, se o escopo combinado foi o escopo entregue, se o cliente conseguiu mudar o sistema depois, nem se quem escreveu o código ainda atende o telefone.
São essas quatro coisas que decidem se o projeto vai bem. Nenhuma delas aparece numa tela bonita.
Cinco perguntas que separam fornecedor de vendedor
- "Quando o meu caso não justifica desenvolver?" Quem responde "sempre justifica" está vendendo. Existe resposta certa aqui — processo padrão de mercado, volume pequeno, processo ainda mudando — e quem trabalha com isso sabe dizer.
- "Com quem eu vou falar depois de assinar?" Se quem ouve o problema não é quem escreve o código, alguma coisa se perde no caminho. Não é impedimento, mas muda o custo de cada mal-entendido.
- "O que acontece se eu quiser trocar de fornecedor?" A resposta diz quase tudo. Código, domínio, hospedagem e contas devem estar no seu nome, e a transferência não deveria depender de boa vontade.
- "O que não está incluído?" A lista do que fica de fora diz mais sobre o preço do que a lista do que está dentro. Se ela não existe, ela vai existir depois, em forma de discussão.
- "Como vou acompanhar o andamento?" Entregas frequentes e utilizáveis, ou um pacote fechado que aparece no fim? O segundo concentra o risco no pior momento.
O que uma proposta séria tem
- Escopo escrito, com o que fica de fora. Em português, não em lista de funcionalidades genéricas.
- Prazo com premissas. Inclusive o que acontece quando a resposta do cliente demora — é a discussão mais comum do meio do projeto.
- Migração de dados dimensionada. Se não está escrita, vai aparecer depois.
- O depois da entrega. Hospedagem, suporte, e quanto custa uma mudança daqui a seis meses.
- Titularidade explícita. De quem fica o código, e em nome de quem ficam as contas.
Sinais de alerta
Nenhum é prova de má-fé; todos merecem uma pergunta a mais:
- Preço fechado sem entender o processo. Orçamento que sai da primeira conversa, sem ninguém perguntar como a empresa trabalha, é chute — e chute erra para os dois lados.
- Venda de tecnologia, não de solução. Se a proposta fala mais da linguagem escolhida do que do seu problema, ela foi escrita para impressionar.
- Promessa de resultado. Ninguém consegue garantir aumento de venda por causa de software. Quem garante está vendendo o que não controla.
- Pressa para assinar. Desconto que vence amanhã é técnica de venda, não de engenharia.
Sobre o preço: os dois extremos costumam ter o mesmo problema
A proposta muito mais barata que as outras quase sempre entendeu um escopo menor — e a diferença reaparece como adicional no meio do projeto. A muito mais cara às vezes entendeu um escopo maior, o que também merece conversa: pode ser que ela tenha visto um risco que as outras não viram.
Antes de comparar números, confira se as propostas estão falando da mesma coisa. Na maioria das vezes não estão.
Quando procurar outro tipo de fornecedor
Nem todo projeto é para uma casa pequena. Se a sua empresa precisa de suporte em regime de plantão, de um time grande trabalhando em paralelo para cumprir uma data inegociável, ou de certificações específicas do seu setor, o caminho é uma empresa estruturada para isso — e vale dizer isso na primeira conversa, em vez de descobrir depois.
Do outro lado: se o que você precisa é um site institucional simples ou uma ferramenta que já existe pronta no mercado, contratar desenvolvimento é pagar mais para chegar ao mesmo lugar.
O teste mais barato
Peça um diagnóstico antes de pedir um orçamento. Uma conversa sobre o seu processo mostra mais sobre o fornecedor do que qualquer apresentação: dá para ver se ele pergunta antes de propor, se entende o negócio ou só a tecnologia, e se tem coragem de dizer que o seu caso não justifica o projeto.
Se quiser fazer esse teste com a gente, o diagnóstico é gratuito — e a recomendação vem mesmo quando ela não passa por nós.