O que faz o preço de um sistema variar tanto
O preço de um sistema sob medida varia porque o escopo varia: o que move o orçamento são as regras que o software precisa respeitar, quantos sistemas ele integra, quanto dado antigo precisa migrar e quantos perfis de acesso existem. Tela bonita e tecnologia da moda pesam menos do que parece.
Por que ninguém publica tabela de preço
Quem publica tabela está vendendo pacote, não projeto. E pacote é o oposto de sob medida: o preço só é fixo quando o escopo é fixo — e escopo fixo quer dizer que a sua operação vai ter que caber nele.
Aqui também não publicamos. Não por mistério: é que um número sem escopo do lado não informa nada e ainda atrapalha, porque vira âncora para uma conversa que ainda nem começou. O que dá para explicar com honestidade é o que move o ponteiro — e é isso que permite a você ler qualquer proposta, nossa ou de quem for.
O que realmente move o preço
1. Quantas regras o software precisa respeitar
Não é o número de telas: é o número de exceções. "Todo pedido gera uma cobrança" é barato. "Todo pedido gera uma cobrança, menos os de contrato anual, que faturam no dia 5, exceto quando o cliente é órgão público" é outro projeto — e essa frase costuma aparecer na terceira reunião, não na primeira.
É a parte mais subestimada do orçamento, e a que mais explica diferença entre duas propostas do mesmo sistema.
2. Com quantos sistemas ele precisa conversar
Cada integração é um projeto pequeno dentro do projeto: depende do que a outra ferramenta abre, de o que fazer quando ela sai do ar, e de quem manda quando os dois discordam do mesmo dado. Uma ferramenta com API boa é barata de ligar. Uma sem API pode custar mais que o resto do sistema.
3. Quanta história precisa vir junto
Começar do zero é barato. Trazer cinco anos de planilha — com duplicata, campo preenchido de três jeitos diferentes e cliente cadastrado duas vezes — é trabalho de verdade, e é onde o prazo estoura quando ninguém olhou os dados antes de orçar.
4. Quantos perfis de gente usam
Um sistema para uma equipe que faz tudo é mais simples que um em que o vendedor vê o dele, o gerente vê o do time, o financeiro vê valor e o cliente vê só o próprio pedido. Permissão parece detalhe e é estrutura.
5. O prazo
Prazo curto não acelera desenvolvimento; aumenta o número de pessoas em paralelo, o custo de coordenação e a chance de retrabalho. Quando dá para ir por partes, sai mais barato — e a primeira versão útil chega antes.
O que pesa menos do que parece
- A linguagem ou a tecnologia. Interessa que seja adequada e sustentável, não que seja a da moda. Proposta que vende tecnologia em vez de resolver problema costuma ser proposta sem escopo.
- A quantidade de telas. Vinte telas simples custam menos que três com regra complicada.
- O capricho visual. Custa, mas é a parcela menor — e é a que mais aparece na demonstração, o que engana na hora de comparar.
O que continua custando depois da entrega
Um sistema não termina: hospedagem, backup, atualização de segurança e as mudanças que a operação pede. Proposta que não fala disso não está barata — está incompleta, e a conta chega no mês seguinte à entrega.
Vale perguntar, antes de assinar: o que acontece quando eu precisar de uma mudança? Quanto custa a hospedagem? E de quem fica o código se um dia eu quiser trocar de fornecedor?
Como comparar duas propostas sem se enganar
- Olhe o que está fora, não o que está dentro. A lista do que não está incluído diz mais sobre o preço que a lista do que está.
- Confira se as duas entenderam a mesma coisa. Diferença grande de preço quase sempre é diferença de escopo, não de margem.
- Veja se há migração de dados escrita. Se não houver, vai aparecer depois.
- Pergunte como é a entrega. Uma entrega única em seis meses é risco concentrado; por partes, você corrige rota no meio.
- Pergunte com quem você vai falar. Se quem ouve o problema não é quem escreve o código, alguma coisa se perde no caminho — e o custo disso aparece em retrabalho.
O jeito barato de descobrir o seu número
Um diagnóstico bem feito devolve escopo e preço fechados por escrito, antes de qualquer compromisso. É o único caminho honesto para sair de "depende" e chegar num número — e, às vezes, a conclusão é que o projeto não se paga agora. Saber disso antes também tem valor.